CAPÍTULO 5: Da enchente de 1941 à tragédia de 2024: uma história de solidariedade
06/08/2026 - Administração
Ao longo de quase 16 décadas de história, a Sogipa construiu uma relação profunda com a comunidade que a acolhe. Muito além da vocação esportiva e social, o clube consolidou uma tradição de solidariedade, colocando sua estrutura e sua força humana a serviço da população nos momentos mais difíceis. Dois dos exemplos mais marcantes dessa trajetória ocorreram durante as grandes enchentes que devastaram Porto Alegre em 1941 e, mais recentemente, em 2024.
O primeiro desses episódios aconteceu quando a entidade ainda era chamada Turnerbund. Entre abril e maio de 1941, três semanas consecutivas de chuvas intensas fizeram o Guaíba transbordar, provocando uma das maiores tragédias da história da capital gaúcha e obrigando cerca de 70 mil pessoas a deixarem suas casas.
Diante da calamidade, a resposta foi imediata. A diretoria colocou as dependências do Parque São João à disposição para acolher os desabrigados. Durante vários dias, aproximadamente 2,6 mil pessoas encontraram no clube um lugar seguro, onde receberam abrigo, alimentação e condições adequadas de higiene. Paralelamente, escoteiros e atletas uniram esforços às autoridades, participando do resgate de moradores isolados e da retirada de famílias das áreas mais atingidas pelas águas.
A mobilização solidária recebeu reconhecimento oficial do então prefeito de Porto Alegre, José Loureiro da Silva, que encaminhou uma carta à direção da Sogipa - reproduzida integralmente a seguir - agradecendo pelo auxílio prestado à cidade. Naquele mesmo período, a entidade também contribuiu com a Santa Casa de Misericórdia ao doar as pedras retiradas do Parque São João, utilizadas na fundação do Hospital da Criança Santo Antônio, então em construção.
Mais de oito décadas depois, a história voltou a se repetir. Em 2024, quando uma nova enchente elevou o nível do Guaíba e inundou grande parte da zona norte de Porto Alegre, além de municípios vizinhos, a Sogipa novamente abriu seus portões para a comunidade. Durante 35 dias, o clube transformou-se em um grande abrigo humanitário, acolhendo mais de 480 pessoas. Além de um local seguro para permanecer, elas receberam alimentação, atendimento médico e, sobretudo, acolhimento e esperança em um dos momentos mais difíceis de suas vidas.